Serviço do Baú: Lançamento do disco Tempo, da cantora gaúcha Cristiana Pretto. O show vai rolar no Teatro do CIEE, em Porto Alegre, dia 09/10. No repertório, além das novas canções, Cristiana afirma que irá interpretar grandes clássicos e músicas de seus dois primeiros discos. Das novidades, destaques para Tempo, Sonho Blues e Top Five, essa última sucesso na Tropical FM. Tá feito o serviço!
Desde que apareceu para os holofotes, no início dos anos 2000, John Mayer faz um trabalho digno de nota. Discos muito bem produzidos, com belas canções, em que o artista faz um pop açucarado com calda consistente, feita num panelão cheio de blues, jazz e soul music. Prodígio da guitarra, Mayer arranca suspiros das adolescentes (ou nem tão jovens assim, vide Jennifer Aniston, ex-affair do cantor) e aplausos calorosos dos marmanjos, tamanha a sua habilidade pilotando uma Fender Stratocaster. Depois de um disco ao vivo com sucessos, clássicos do blues e direito a um set acústico, John Mayer está de volta com canções inéditas. O primeiro single, Who Says, já está rodando nas rádios e traz o artista com sua consagrada fórmula: agradar ouvidos exigentes, sem esquecer do público teen. A diferença é que, pelo menos nessa música, John abriu mão dos envenenados timbres de guitarra, se resumindo ao acompanhamento sutil de violão e percussão. O disco de inéditas, intitulado Battle Studies, está com previsão de lançamento para novembro.
Esse senhor frágil, com uma guitarra na mão, que está na foto acima, foi responsável por uma das maiores revoluções da história da música. Lester William Polsfuss, nasceu no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, em 9 de junho de 1915. Aos treze anos já fazia apresentações ao vivo como guitarrista, sempre mesclando o honky tonk , jazz e blues, o que o ajudou a criar um estilo inconfundível. Em 1950, Les Paul, como ficou conhecido, começou a projetar aquela que seria a primeira guitarra de corpo sólido a ser fabricada pela Gibson. Durante dois anos, músico e empresa se esforçaram para criar um instrumento portátil, de timbre revolucionário e moderno, sem deixar de lado o visual elegante, característico da marca. Eis que, em 1952, o mundo conheceu a Gibson Les Paul. Seria impossível a guitarra não levar o nome de seu criador, tamanha a ligação entre artista e instrumento. Nessa quinta-feira, a Gibson fez um comunicado confirmando a morte de Les Paul em função de uma grave pneumonia. O legado do guitarrista vai além da música. Desde que lançou sua criação, 57 anos atrás, o músico viu gerações idolatrarem as Gibson Les Paul. Da marcação seca de Muddy Waters até os rugidos pesadíssimos de Zakk Wylde, não há guitarrista que ao menos não achei bonito o contorno das Les Paul, isso sem falar do timbre grave e único. Eu próprio trago tatuado em meu braço esquerdo a invenção de Les Paul, que para muitos pode não representar, mas que fez toda a diferença na música dos últimos 50 anos. A paixão pela guitarra fez Les Paul tocar até o fim da vida. Toda a semana, ele realizava uma apresentação em um bar de Nova Iorque. Les Paul tinha 94 anos. Descanse em paz!
As linhas que escrevi anteriormente fazem parte do BEABÁ do rock, nada de muita novidade. O que muitos não sabem vem a seguir: as curiosidades. Shows cancelados, convites negados e outros fatos que também fazem parte da história do Woodstock.
Curiosidades:
- Apesar do nome, o festival aconteceu na cidade de Ethel, cidade que fica cerca de 70 quilômetros distante de Woodstock.
- The Doors iriam tocar no festival, mas desistiram quando souberam que Woodstock seria em uma fazenda.
- Os integrantes do Iron Butterly ficaram presos em um aeroporto e não conseguiram chegar a tempo de tocar.
- O Led Zeppelin negou o convite para tocar no Woodstock. Segundo o empresário Peter Grant, o Led seria apenas mais uma banda a pisar no palco, e isso não seria interessante.
- A organização chegou a ligar para John Lennon pedindo para que os Beatles tocassem no Woodstock, mas John exigiu que a banda de Yoko Ono também pudesse se apresentar, o que não foi aceito.
17 de agosto, último dia de Woodstock e ainda havia muita coisa por acontecer. Logo no início daquela tarde de domingo o público assistiria a uma das mais belas interpretações da história do rock. Joe Cocker, ainda em início de carreira, encerrou sua apresentação com uma canção dos Beatles completamente modificada: With a Little Help From My Friends. Originalmente cantada por Ringo, a música aqui aparece na voz rouca de Cocker, que chega a se contorcer durante a execução.
Após o show de Joe Cocker, o então céu azul deu lugar a uma tempestade que fez as apresentações musicais serem suspensas por algumas horas. Foi aí que começou o show dos protagonistas do evento. Em meio a lama, a fazenda se tornou um palco para que aqueles 500 mil hippies pudessem se divertir, como se todo aquele cenário fosse uma nação do amor livre, da paz e da cumplicidade entre iguais. Crianças corriam nuas pelos campos em belíssimas cenas. O som das guitarras deu lugar ao coro que pedia "no rain, no rain". São Pedro não teria como negar aquele pedido e ao fim da tarde, a chuva parou e os shows recomeçaram. Na sequência do festival, apresentações dignas de nota, como The Band e Ten Years After. No entanto, o público foi ao delírio com o primeiro show de um quarteto: Crosby, Stills, Nash & Young era ídolos daquela geração, mas nunca haviam tocado os quatro juntos. Bastaram os primeiros acordes e estava formado um dos grupos mais queridos da história do rock.
Para o grand finale do Woodstock, os organzadores escalaram Jimi Hendrix, ídolo máximo e porta-voz daquela geração. O que não estava previsto era o temporal e o atraso de quase nove horas na programação de shows. Hendrix começou seu show às 9 da manhã já da segunda-feira, dia 18. Apenas 35 mil pessoas restavam na fazenda, mas mesmo assim, Jimi protagonizou o momento mais simbólico do festival: a execução do hino dos EUA. Em meio à melodia, o guitarrista extraia sons que simulavam bombas de sua Fender Stratocaster, em uma verdadeira manifestação de repúdio a Guerra do Vietnã. Há quem diga que esse solo abriu as portas para muitas pessoas realizarem seus sonhos, inclusive os de Barack Obama, primeiro negro a se tornar presidente da nação mais poderosa do planeta.
Continuando com os destaques das apresentações do Woodstock, chegamos ao segundo dia. O palco foi habitado por ídolos máximos daquela geração como Janis Joplin e The Who e por grupos menos aclamados, como o Quill. Country Joe McDonald fez o público cantar um hino anti-guerra do Vietnã. Por ironia, um dos shows que roubou a cena foi o de um jovem guitarrista mexicano, até então desconhecido, chamado Carlos Santana. A interpretação de Soul Sacrifice é um dos momentos eternos da guitarra elétrica.
Como não se emocionar com o sofrimento da voz de Janis Joplin? A cantora texana só aceitou cantar na condição de que o público estivesse bem acomodado, sem passar dificuldades.
Assim como Janis, o The Who ganhou fama mundial após a apresentação bombástica em Monterrey, dois anos antes. No Woodstock, a banda fez uma apresentação história, tocando a ópera-rock Tommy. Ao fim do show, o guitarrista Pete Townshend atirou sua Gibson SG para a plateia. De tantos hinos, See Me, Feel Me foi um destaque.
Muitos dos artistas que tocaram no festival não autorizaram a gravação e o uso de seus shows no filme e nos discos lançados com a marca Woodstock. Portanto muita coisa se perdeu e ficará apenas nas retinas de quem assistiu ao vivo (embora eu duvide que o pessoal lembre de muita coisa). Vou listar abaixo alguns momentos que julgo marcantes. Claro que essa é uma análise do filme Woodstock, que já assisti inúmeras vezes.
No primeiro dia, duas apresentações foram marcantes: a de Richie Havens, que abriu o festival e a de Joan Baez, que cantou grávida e encerrou a noite. É impossível não se arrepiar com a honestidade de Havens tocando e clamando por liberdade.
Joan Baez foi um ícone do movimento folk nos Estados Unidos. Sua voz aguda é única e reconhecível a quilômetros de distância. Durante o Woodstock, a cantora esperava um filho enquanto seu marido estava preso. Inesquecível!!!